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Nickel, no alemão popular dos séculos 16 e 17, era uma forma curta de Nikolaus, o nome Nicolau. Como acontece com nomes muito comuns, o diminutivo virou rótulo pra um tipo de gente: o sujeito esperto, enganador, de pouca confiança.
Do rótulo humano, o nome passou aos seres do folclore. Nas regiões mineiras da Saxônia, Nickel designava um duende, um espírito pequeno e malicioso que vivia debaixo da terra e se divertia atrapalhando o trabalho dos homens.
O inglês tem um parente direto dessa figura: Old Nick, o velho Nick, apelido popular do diabo. A trilha é a mesma, do nome de batismo ao trapaceiro, e do trapaceiro ao ser que mora no escuro.
A família dos espíritos da mina
O Nickel não trabalhava sozinho. A mesma mitologia das minas tinha o Kobold, outro duende subterrâneo, também acusado de estragar o minério. Georgius Agricola, médico e estudioso de mineração alemão, descreveu esses espíritos num tratado latino sobre os seres subterrâneos, De animantibus subterraneis (Dos seres que vivem debaixo da terra), publicado em 1549.
Agricola não zombava dos mineiros. Registrou as crenças com seriedade, como parte do ofício, ao lado das técnicas de escavação e de fundição que descreveria depois em De re metallica (Sobre os metais), de 1556.
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O mineiro dava nome de duende à pedra que o enganava: o xingamento era a primeira classificação química da casa.
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O Kupfernickel tinha motivo pra enganar. A química moderna sabe o que ele é: nicolita, um arsenieto de níquel (mistura de níquel com arsênio, o veneno). A cor acobreada vem do próprio mineral, e o arsênio explica o resto.
No forno, o arsênio sai em vapor tóxico, com cheiro de alho, e adoece quem respira perto. O níquel que sobra não se comporta como cobre nos métodos de fundição daquela época, e o mineiro ficava com a escória na mão.
Pra quem não conhecia elementos químicos, a sequência só tinha uma leitura possível. A pedra tinha cara de cobre, cheirava mal, fazia mal e não rendia nada. Alguém estava pregando peça, e esse alguém morava na mina.
O nome guardava a acusação inteira em duas partes. Kupfer era o cobre prometido. Nickel era o culpado pelo sumiço dele.
Os mineiros também desenvolveram defesas práticas. Aprenderam a reconhecer a pedra pelo peso, pela cor rosada e pelo cheiro no fogo, e passaram a separá-la antes de gastar carvão com ela. O apelido funcionava como aviso: quem ouvia Kupfernickel sabia que aquela veia não pagava o turno.
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