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Fora da Igreja, o número 50 foi o que ficou. Jubileu passou a nomear qualquer aniversário redondo, e o português acrescentou metais para medir o tempo: jubileu de prata aos 25 anos, de ouro aos 50, de diamante aos 60.
A moda veio da Inglaterra. A rainha Vitória celebrou o Jubileu de Ouro em 1887 e o de Diamante em 1897, com desfiles em Londres, e a imprensa espalhou os nomes pelo mundo.
No português, a palavra ganhou ainda um sentido de trabalho. Em Portugal, jubilar um professor é aposentá-lo com honra, e professor jubilado é quem deixou a cátedra depois de uma carreira longa.
O Brasil virou o sentido do avesso. Nas universidades brasileiras, jubilar um aluno é desligá-lo por ter estourado o prazo máximo do curso. A palavra que soltava o servo passou a soltar o estudante atrasado, sem festa nenhuma.
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Do servo libertado ao aluno desligado, jubilar guardou a ideia de soltar alguém.
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O sentido de libertação também atravessou o Atlântico em inglês. O sino da sede do governo da Pensilvânia, fundido em 1752, traz gravado o versículo 10 do Levítico: proclamar liberdade em toda a terra.
Nos anos 1830, os abolicionistas americanos adotaram o sino como símbolo e lhe deram o nome que ficou, Liberty Bell (sino da liberdade). O versículo do jubileu virou bandeira contra a escravidão.
A ideia original, a do perdão de dívidas, voltou em 1996 com a campanha Jubileu 2000, nascida no Reino Unido. Igrejas e organizações pediram o cancelamento das dívidas dos países mais pobres até a virada do milênio. Em 1999, na reunião do G8 em Colônia, na Alemanha, os países mais ricos ampliaram o programa de alívio dessas dívidas.
O chifre também continua soando. O shofar toca no Rosh Hashaná (o ano-novo judaico) e no encerramento do Yom Kippur (o dia do perdão), a mesma data em que o Levítico mandava anunciar o jubileu.
Quem quiser refazer a viagem da palavra pode seguir três passos.
1. Leia o capítulo 25 do Levítico e marque os versículos 10 e 23, o da liberdade e o da terra que não se vende para sempre.
2. Procure uma gravação de shofar e escute o toque longo, chamado tekiá, o mesmo som que abria o ano do jubileu.
3. Abra um dicionário no verbete júbilo e compare com jubileu: uma vem do grito latino, a outra do carneiro hebraico.
O chifre de carneiro do Levítico virou trombeta, calendário, ano santo, aniversário de casamento e aposentadoria de professor. A lei talvez nunca tenha devolvido terra alguma, mas o nome dela atravessou três línguas e ainda marca o tempo a cada 25 ou 50 anos.
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