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Os turcos otomanos tomaram Constantinopla em 1453 e dominaram os Bálcãs por quatro séculos. O iogurte entrou na cozinha de gregos, búlgaros, sérvios e romenos, e a palavra turca entrou junto em parte dessas línguas.
Os búlgaros fizeram uma escolha diferente. Eles chamam o alimento de kiselo mlyako, leite azedo em búlgaro, e reservam a palavra turca para quase nada. Os gregos dizem giaourti, com a pronúncia turca bem preservada.
A Europa ocidental conheceu o iogurte por relatos de viagem. O Oxford English Dictionary registra a primeira forma inglesa em 1625, grafada yoghurd, num relato de viajantes publicado pelo compilador Samuel Purchas.
Os viajantes ingleses e franceses dos séculos 17 e 18 grafaram a palavra de dezenas de jeitos, yogurd, yoghourt, yaourt, cada um tentando reproduzir o g mole que não sabia escrever. A bagunça da grafia mostra que a palavra chegou pelo ouvido, e não pelo livro.
Na França corre uma história sobre o rei Francisco I, que no século 16 teria sido curado de uma diarreia persistente por um médico enviado pelo sultão Solimão, o Magnífico, com iogurte de ovelha. Nenhum documento da época confirma o episódio. Ele aparece em livros de culinária séculos depois, e os historiadores o tratam como lenda.
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O iogurte chegou à Europa como curiosidade de viajante e só virou comida de todo dia quando um laboratório o declarou remédio.
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A mudança veio da ciência. Em 1905, o estudante búlgaro Stamen Grigorov, trabalhando em Genebra, identificou ao microscópio o bacilo responsável pela fermentação do iogurte da terra dele. O micróbio ganhou o batismo de Bacillus bulgaricus, hoje Lactobacillus bulgaricus.
Pouco depois, o biólogo russo Ilya Metchnikov, do Instituto Pasteur de Paris e Prêmio Nobel de Medicina em 1908, defendeu no livro Essais optimistes (Ensaios otimistas), de 1907, que os camponeses búlgaros viviam muito porque bebiam leite azedo. A tese não se sustentou, mas encheu as farmácias de Paris de iogurte vendido como remédio.
O francês fixou duas formas, yogourt e yaourt, e é dele que o português tirou a palavra. Como o português não usa y no começo de palavra comum, a letra virou i. O espanhol fez outra escolha e ficou com yogur, sem o t final.
O português de Portugal e o do Brasil chegaram à mesma grafia, iogurte, com o e final que a língua acrescenta a palavras terminadas em consoante dura. É o mesmo movimento que transformou o francês filet em filé e o inglês club em clube.
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